Eduardo Amorim: com Déda, mas na mira dos conservadores
Nada mais cômodo aos dados a arrendar o próprio juízo que um país onde pensar soa artigo de luxo. Leio e releio notas a espelhar a insistência de conhecidas almas que querem ligar o deputado Eduardo Amorim ao ex-governador João Alves Filho. Ainda que Amorim tenha optado pelo palanque de Déda sem precisar ter uma Ponto 40 apontada em direção da sua cabeça. A bola da vez é o fato de deputado e ex-governador terem prestigiado a solenidade de lançamento da candidatura à reeleição do deputado estadual Arnaldo Bispo, em Itabaiana. Os detalhes foram fartamente noticiados.
Como sempre faço, no momento em que flagro "intelectuais" de prontidão a tentar persuadir com interesses viciados, apelo aos botões. Já impacientes com a pobreza espiritual intrínseca ao debate, os botões comungam algumas obviedades com quem consegue enxergar os fatos com a isenção que o bom jornalismo exige - sobretudo às vésperas de o eleitorado conferir as fotos dos candidatos nas urnas.
Das obviedades dispostas a desmoralizar pífios argumentos engendrados para, como cunhou o mundo da gíria, tentar "queimar o filme" de Eduardo Amorim, merece destaque o fato de os "intelectuais" terem sonegado em seus arranjos não apenas que Luciano Bispo, prefeito da cidade e irmão de Arnaldo, é eleitor de Amorim, mas também a proximidade do candidato do PSC com Itabaiana, sobretudo por ser filho da terra.
Desafia a inteligência, não sem antes entregar o sórdido jogo ao qual se prestam tais "intelectuais", acreditar que, nas mesmas circunstâncias, outros candidatos teriam a coragem - ou a burrice? - de dar as costas ao prefeito e ao eleitor presentes ao evento. E, em outra oportunidade, procurá-los para pedir voto com alguma desculpa nada convincente.
É fácil perceber que subir no mesmo palanque, mas em um momento distinto do adversário político, como noticiou o site Nenotícias, é algo muito distante e distinto de aplaudir o discurso adversário, ao seu lado, em tempo real, e ainda tratar de improvisar uma réplica da retórica alheia no momento em que se faz uso da palavra.
Isso é tão óbvio que leva o mais ingênuo dos internautas a crer que, no mínimo, os fatos foram distorcidos a propósito. E o mais desconfiado a indagar aos seus próprios botões: por que se tenta molestar os candidatos com este tipo de "jornalismo"? Em outras palavras, que interesse teria um jornalista, ao tentar prejudicar Amorim, e o próprio João, que tem Machado e Cacho como seus candidatos ao Senado?
Seria paixão pelos adversários políticos da dupla? Em sendo essa a explicação, o que estaria a alimentar esta relação? O que teria mais valor que a fidelidade aos fatos? Que a ética? O respeito?
Com o que a obsoleta serventia talvez não deva contar é que a Internet, como todas as históricas invenções que têm como pré-requisito ao seu acesso o poder aquisitivo, não é (ainda) um veículo de comunicação de massa. Com todo respeito, não é como a televisão, cuja grade, exceto nas TVs fechadas, separa míseros 10% para rápidos telejornais, e destina a maior fatia para o chamado entretenimento. Não estimula pensar. O fato de o internauta que navega em busca de notícias políticas possuir, em via de regra, uma considerável bagagem cultural, devolve a posição de mentecapto ao autor das asneiras postadas. É o famoso tiro no pé.
Por maior que seja a distorção do fato, o internauta pode até ler a notícia engendrada. Agora, se permitir comungar com a maldade, é outra história. O eleitor não precisa disso. Candidatos ao Senado, que em tese seriam beneficiados com a manobra, como Valadares e Albano Franco, também não. Aliás, o nome do candidato Albano chegou a ser ventilado. Preferimos, todavia, descartar a hipótese de que ele se prestaria a este papel abominável. Acreditamos que a vocação para vassalo, neste caso, parte de forma instintiva. Deploravelmente, espontânea.
Ademais, não fazemos deste espaço palanque para nenhum político. Aliás, quem acessa o Universo Político.com já deve ter percebido que pagamos caro pela linha editorial adotada. Mas seria injusto deixar de salientar aqui algo que os mais lúcidos já perceberam: Eduardo Amorim é vítima do preconceito de setores conservadores. Paga o alto preço da ousadia de disputar um espaço nobre na política. Espaço público que, para muitos jornalistas, já são assentos privados de conhecidos vultos.
Joedson Telles é diretor de Jornalismo do portal Universo Político.com
Contato: joedson@universopolitico.com.br
Comentários
25/07/10 - 14h26 - Jozailto Lima
Caro JT Muito bom este seu comentário. É muito lamentável que desejos, interesses e simpatias pessoais de alguns jornalistas vazem sobre seus comentários, maculem os fatos e caiam na cara do leitor com toda a nódoa de defeitos que os as opiniões pré-prontas e preconceituosas geram e exibem. Nestes caasos nã basta o botão. O mouse faz muito bem. Muda-se de 'canal' da web, e pronto. Jozailto Lima.
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